"Apesar do crescimento, o maior problema de Angola é a repartição da riqueza. Quase 80% do rendimento está concentrado na capital, Luanda, onde vive cerca de 30% da população angolana. A OCDE calcula que 68% dos angolanos estão abaixo do limiar da pobreza.
A corrupção é outro problema grave num país com uma pesada máquina estatal e uma carga fiscal sobre as empresas que dificulta a afirmação de sector privado. Contas feitas, o índice de desenvolvimento humanitário da ONU coloca Angola na cauda do "ranking". E esse tem sido o principal argumento da UNITA-o maior partido da oposição-nesta campanha eleitoral.
Para já, o Governo diz-se concentrado na reconstrução de um país devastado pela guerra, para que Angola passe a ter estradas, escolas, hospitais e demais infra-estruturas básicas. A seguir ao betão, o Presidente José Eduardo dos Santos, promete que virá o desenvolvimento social.
O petróleo "puxou" pelo crescimento angolano nos últimos anos, colocando a média anual nos 13,4%. E Angola continua a ser o número um dos países africanos exportadores de petróleo, tendo passado recentemente à frente da Nigéria. Diariamente a produção situa-se nos 1.873 milhões de barris, mas só há pouco mais de um ano aderiu à OPEP. Rica em recursos naturais, Angola é o quarto maior produtor de diamantes do mundo.
A China é o primeiro destino do "ouro negro" angolano, que representa mais de metade (57%) da riqueza do país. Portugal é o líder destacado das suas importações."
In "Diário Económico" de 5 de Setembro de 2008.
